SVS e MP investigam locais de contaminação após mortes por doença de Chagas no Amapá
26/03/2026
(Foto: Reprodução) Secretária de Vigilância em Saúde alerta para casos de Doença de Chagas no Amapá
A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) do Amapá confirmou 2 mortes por doença de Chagas em Macapá e abriu investigação nesta quinta-feira (26) sobre um 3º óbito. Após a identificação de pontos suspeitos de contaminação na capital, o Ministério Público (MP) do Amapá em parceria com a SVS deve visitar os locais.
O alerta reforça a preocupação com o aumento de casos no estado, onde o Centro de Referência de Doenças Tropicais (CRDT) acompanha cerca de 500 pacientes diferentes doenças.
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"Estamos com 8 pessoas notificadas positivo, com 3 óbitos, sendo 2 já diagnosticados [...] e 1 em fase de investigação", disse Cláudia Pimentel, superintendente de Vigilância em Saúde do Amapá.
O promotor de Justiça Wueber Penafort, disse que a reunião realizada com vigilâncias sanitárias estadual e municipal e outras autoridades, tratou dos casos recentes de dengue e Chagas.
“As equipes vão fazer diagnóstico e orientar a população. Na terça-feira (31) teremos uma nova reunião para avaliar os resultados. Isso afeta a cadeia produtiva do açaí e preocupa tanto consumidores quanto trabalhadores", disse.
Casos no CRDT
Centro de Referência em Doenças Tropicais do Amapá
Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica
Segundo o o médico infectologista Rafael Darwich, o CRDT atende pacientes com a doença de Chagas em fase aguda, quando há febre e sintomas mais intensos e também casos crônicos, que exigem acompanhamento contínuo.
"Pelo menos uns cinco casos diariamente de chagas entre agudos e crônicos, a gente atende aqui no centro. Só no mês de março, foram 12 novos encaminhamentos”, disse.
Médico Infectologista do CRDT, Rafael Darwich.
Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica
O médico explicou ainda que a doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.
“Antes era transmitida pela picada do barbeiro. Hoje, está muito mais relacionada ao consumo de alimentos contaminados, como o açaí”, explicou.
Os sintomas incluem febre prolongada, inchaço no rosto, dores no corpo e nas articulações, além de dor de cabeça.
“É como se fosse uma dengue mais prolongada. Se a febre persistir sem outra causa aparente, o paciente deve procurar atendimento médico”, destacou Darwich.
Tratamento
O tratamento é feito exclusivamente na rede pública, com o medicamento benzonidazol, disponível em hospitais e unidades básicas de saúde. No CRDT, os pacientes recebem acompanhamento tanto na fase aguda quanto na fase crônica da doença.
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Na fase aguda, os sintomas são mais evidentes, como febre alta e dores intensas. Já na fase crônica, os sinais podem ser silenciosos, exigindo exames regulares. O acompanhamento é necessário porque a doença pode afetar o coração e o sistema digestivo ao longo dos anos.
A principal forma de prevenção é garantir que o açaí passe pelo processo de 'branqueamento', que é o choque térmico que elimina o protozoário.
“Não adianta apenas limpar a batedeira. É o branqueamento que mata o trypanosoma. A população deve exigir esse procedimento no consumo do açaí”, alertou Darwich.
Barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas
Reprodução/SES
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