Operação na Maré para prender 56 pessoas mobiliza Bope e Core; há tiroteio e barricadas em chamas

  • 10/06/2026
(Foto: Reprodução)
Operação na Maré para prender 56 pessoas mobiliza Bope e Core; há tiroteio e barricadas em chamas As polícias Civil e Militar iniciaram na manhã desta quarta-feira (10) a Operação Trinus, contra o tráfico de drogas no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. São 6 ações simultâneas para combater diferentes crimes, incluindo roubos, homicídios e exploração sexual infantil. Os agentes tentam cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão contra traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Até a última atualização desta reportagem, 5 homens haviam sido presos. Participam da ofensiva homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), as tropas de elite das forças de segurança do RJ. As equipes foram recebidas a tiros. Criminosos também atearam fogo a barricadas. 🔎 O Complexo da Maré é dominado por diferentes facções. A maior parte é do TCP e engloba, por exemplo, a Vila do João, o Conjunto dos Pinheiros, o Morro do Timbau e a Baixa do Sapateiro, para onde as forças de segurança foram nesta quarta. Há ainda áreas sob o jugo do Comando Vermelho (Nova Holanda e Parque União) e da milícia (Piscinão). Criminosos colocaram fogos em barricadas no Complexo da Maré para impedir a chegada da polícia Reprodução/TV Globo Seis procedimentos em curso A investigação da 21ª DP (Bonsucesso) se dividiu em 6 frentes: Roubo de cargas e lavagem de capitais: Investiga o roubo sistemático de caminhões em vias expressas (como a Avenida Brasil) e o uso do Baile da Disney e comércios locais como plataformas para escoar mercadorias e lavar dinheiro. Roubo e receptação de celulares: Focada em uma cadeia organizada que utiliza motocicletas para roubar aparelhos, exigindo que as vítimas os entreguem desbloqueados, para posterior revenda em estabelecimentos dentro das comunidades. Tentativa de homicídio contra adolescente: Refere-se à investigação de criminosos que atiraram contra um veículo de uma família que entrou por engano na Baixa do Sapateiro em setembro de 2024, ferindo uma adolescente. Exploração sexual infantil: Trata do armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil em grupos de aplicativos, além da articulação de abusos contra menores. Violência doméstica e posse ilegal de armas: Originada de um caso de agressão física contra uma mulher na Baixa do Sapateiro, que levou à descoberta de que o agressor mantinha armas e réplicas em sua residência. Roubo circunstanciado na Avenida Brasil: Investiga um roubo específico contra um casal no mês passado, no qual os criminosos utilizaram o celular e cartões das vítimas para realizar movimentações financeiras e compras indevidas. Helicóptero da polícia sobrevoa a Vila do João, no Complexo da Maré, durante operação Reprodução/TV Globo Veja abaixo os detalhes de cada frente. 1. Roubo de cargas e lavagem de capitais A 21ª DP fala em “ações sistemáticas” do TCP para interceptação de veículos de carga nas principais vias expressas da capital, como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Linha Amarela. Segundo as investigações, o bando usa motocicletas e veículos de apoio para cercar caminhões em movimento. As vítimas, rendidas sob ameaça e violência, eram obrigadas a conduzir os veículos até o interior das comunidades dominadas pela facção para a retirada das mercadorias. Em alguns casos, o TCP mobilizava até empilhadeiras. A distrital afirma que o produto dos roubos “não era simplesmente revendido de forma improvisada”. “As investigações identificaram que estabelecimentos comerciais da região foram utilizados para a receptação, armazenagem e revenda das cargas subtraídas, integrando a cadeia econômica do tráfico.” A polícia lembrou ainda que o TCP impõe monopólios de internet, botijões de gás e até água. A 21ª DP destaca que o Baile da Disney, “megaevento realizado no campo da Vila do João”, é um “elemento central da estrutura de lavagem de dinheiro” do TCP. “O evento, que se tornou referência popular por sua produção temática com decoração, pirotecnia, atrações circenses e personagens infantis, foi identificado pelos investigadores como plataforma de monetização ampla do crime organizado”, descreveu a polícia. “O baile opera como canal de escoamento imediato de mercadorias roubadas e permite arrecadação concentrada com bebidas, alimentos e espaços sob controle exclusivo da facção”, prosseguiu. A 21ª DP afirmou também que a renda obtida no Baile da Disney “viabiliza o pagamento de cachês e ‘presenças VIP’ a figuras públicas, prática que também serve como vetor de reputação e propaganda”. Em edições anteriores, foram registrados homens armados com fuzis ostentando as armas no meio da multidão. “Em um dos registros, estimou-se a presença de cerca de 40 armas durante um cortejo armado”, ressaltou. De acordo com as investigações, o TCP transferiu do Complexo da Pedreira para a Maré a “central logística” dos roubos de cargas. “O Complexo da Maré passou a centralizar o recebimento, o controle e a distribuição das mercadorias. Essa transição foi acompanhada de intensificação dos confrontos armados, com registro de tiroteios entre criminosos e policiais nas vias de acesso à Maré, envolvendo fuzis e alcançando inclusive blindados da PM”. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), a circunscrição da 21ª DP registrou 4.328 ocorrências de roubo de veículo e 1.350 de roubo de carga entre janeiro de 2020 e junho de 2026. 2. Roubo e receptação de celulares Em junho de 2025, 2 homens foram presos em flagrante por roubo de celular na região de Bonsucesso. A 21ª DP afirmou que a dupla “decidiu colaborar espontaneamente” e deu “informações detalhadas sobre o funcionamento do esquema criminoso”. O “gerente operacional” fornecia armas e motocicletas roubadas para os ataques e estabelecia “metas de arrecadação”, exigindo a obtenção de determinado número de aparelhos desbloqueados por incursão. As vítimas eram abordadas e coagidas, sob a mira de armas de fogo, a desbloquear os celulares no ato do roubo. O TCP estabeleceu uma “tabela de recompensas” para os ladrões. Aparelhos desbloqueados alcançavam até R$ 2.500, enquanto aparelhos bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600. 3. Tentativa de homicídio contra adolescente Em 18 de setembro de 2024, por volta das 9h50, um pai e sua filha adolescente trafegavam em um veículo pela Avenida Brasil quando, ao tentar acessar a Linha Amarela com auxílio do GPS, erraram o caminho e entraram na Baixa do Sapateiro. Michel Simioni e Valentina Betti Simioni vieram ao Rio para tirar o visto americano no Consulado dos Estados Unidos. Ao perceber o engano, Michel tentou recuar. Um HRV azul emparelhou com o carro da família, e os ocupantes, com os vidros abertos, ordenaram parar. Michel viu um fuzil no HRV e optou por acelerar para fugir. Os criminosos abriram fogo, e Valentina, que estava no carona, foi atingida pelos tiros. Ao acessar a Linha Amarela, o condutor encontrou uma viatura da Polícia Militar e pediu socorro. A polícia identificou 2 soldados do tráfico no episódio. Valentina ficou quase um mês hospitalizada.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/10/operacao-no-complexo-da-mare-nesta-quarta-feira.ghtml


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