Florianópolis 353 anos: do autor que popularizou as histórias de bruxa aos livros com a 'Ilha da Magia' de cenário

  • 23/03/2026
(Foto: Reprodução)
Livros têm Florianópolis como pano de fundo de suas histórias Florianópolis faz 353 anos nesta segunda-feira (23). Ao longo desse tempo, a cidade teve suas praias, bairros e tradições transformados em cenário literário inúmeras vezes. Não por acaso, o apelido de Ilha da Magia também nasce desse universo de lendas e histórias contadas em livros, contos e poemas. 📚 Para comemorar a data, o g1 reuniu nove livros que ajudam a entender a capital de Santa Catarina. A lista inclui escritores consagrados, como Franklin Cascaes, Cruz e Sousa e Salim Miguel, e outros novos autores que escolheram a Ilha e seus nativos como pano de fundo para suas histórias. ✅ Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 📚 A curadoria foi feita com auxílio das professoras Zilma Gesser Nunes e Tania Regina Oliveira Ramos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e inclui as seguintes obras: O fantástico na Ilha de Santa Catarina — Franklin Cascaes Broquéis — Cruz e Sousa Assembleia das aves — Marcelino Antônio Dutra O Detetive De Florianópolis — Jair Francisco Hamms Os Viúvos — Mario Prata Entreilha — Rafael Reginato Primeiro de abril: Narrativas da cadeia — Salim Miguel A coroa no reino das possibilidades — Miro Morais Do lado de dentro do mar — Daniela Stoll Livros têm Florianópolis como pano de fundo Divulgação 1. O fantástico na Ilha de Santa Catarina — Franklin Cascaes O fantástico na Ilha de Santa Catarina — Franklin Cascaes Divulgação Franklin Cascaes, um dos principais pesquisadores da cultura açoriana, dedicou grande parte da vida a registrar histórias, lendas e costumes das comunidades tradicionais da Capital catarinense. A expressão "Ilha da Magia", inclusive, está ligada ao imaginário folclórico que o autor ajudou a popularizar em suas obras. Em "O fantástico na Ilha de Santa Catarina", um de seus principais títulos, difundiu o termo bruxa em contos, desenhos e lendas, que fazem valer esse apelido histórico. O livro reúne 24 narrativas escritas entre 1946 e 1975 que nasceram de conversas com pescadores, rendeiras, benzedeiras e antigos moradores. Ao longo das páginas, ele descreve a ilha como "um autêntico e vivo relicário da cultura popular tradicional reflorida", com povo "mesclado, inteligente, audacioso, de espírito arguto e, sobretudo, religioso e arraigado em crendices mitológicas". Obra: O fantástico na Ilha de Santa Catarina Autor: Franklin Cascaes Ano: 1979 Relação com Florianópolis: Retrata lendas, crenças e costumes das comunidades tradicionais da ilha, ajudando a construir o imaginário da “Ilha da Magia”. 2. Broquéis — Cruz e Sousa Cruz e Sousa nasceu na antiga Desterro, como era chamada Florianópolis na época. Embora o principal autor simbolista do país não cite a cidade natal no livro, sua experiência como homem negro no Brasil do século XIX e o sentimento de exclusão social acabaram influenciando a sua poesia. Composta por 54 poemas, a obra foi eleita por professores o melhor livro de Santa Catarina em levantamento do g1. Obra: Broquéis Autor: Cruz e Sousa Ano: 1893 Relação com Florianópolis: O autor não cita a cidade explicitamente, mas é possível inferir que os lugares pelos quais passou, incluindo sua cidade natal, influenciaram sua obra de forma indireta. Qual é o melhor livro de cada estado brasileiro? Professores votam 3. Assembleia das aves — Marcelino Antônio Dutra O conto Assembleia das Aves trata de uma campanha eleitoral em que há uma disputa entre os cristãos e os judeus. Segundo a professora aposentada do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da UFSC Zilma Gesser Nunes, essa é a primeira obra literária de autor catarinense que se tem registro. A biblioteca virtual da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) descreve que o poema está relacionado à campanha política de 1847. Ridicularizava os políticos do Partido Conservador, que na Desterro (como Florianópolis era chamada) representava a burguesia comercial local e membros do clero, e tinha como líder o arcipreste Paiva. No texto, personagens também fazem referência a nomes conhecidos da Capital. “Cisne” se refere a Jerônimo Coelho, militar, político, jornalista e criador do primeiro jornal de Santa Catarina. “Quero-Quero” é o arcipreste Joaquim Gomes de Oliveira e Paiva, que hoje dá nome a uma das ruas centrais de Florianópolis. Já “Aves” se refere, de forma geral, aos deputados e a outros políticos da época. Obra: Assembleia das aves Autor: Marcelino Antônio Dutra Ano: 1847 Relação com Florianópolis: Satiriza a política da antiga Desterro, com referências a personagens e disputas locais do século XIX. 4. O Detetive De Florianópolis — Jair Francisco Hamms O Detetive De Florianópolis — Jair Francisco Hamms Divulgação O autor do prefácio, José Matusalém Comelli, diz que “o autor consegue reunir num só personagem vários tipos com os quais cruza todos os dias nas ruas de Florianópolis, acentuando o espírito do ilhéu malandro, irreverente, gozador, esperto e, no caso, lutador, disposto até mesmo a levar a sério sua profissão de detetive particular para defender – sabe Deus como! – o pão nosso de cada dia nestes tempos em que, para muitos, nem todo dia tem pão”. A professora Zilma Gesser Nunes destaca que, no sumário, aparecem citadas algumas localizações por onde passou o detetive, como: Rua João Pinto, um calçadão no Centro, e Saco Grande, bairro na Zona Centro-Norte. Obra: O Detetive De Florianópolis Autor: Jair Francisco Hamms Ano: 1983 Relação com Florianópolis: Ambientado na capital, incorpora o cotidiano e o espírito do ilhéu, citando ruas e bairros da cidade. 5. Os Viúvos — Mario Prata Os Viúvos — Mario Prata Divulgação O romance que se passa em Florianópolis conta a história do detetive e ex-policial federal Ugo Fioravanti e de seu ajudante Darwin Matarazzo. A dupla participa de duas investigações: a primeira trata-se de encontrar uma mulher a pedido do príncipe de Dubai e a outra sobre um homem que manda e-mails para Fioravanti falando sobre seus futuros crimes - o problema é que ele só se apresenta como E.R.N. Obra: Os Viúvos Autor: Mario Prata Ano: 2010 Relação com Florianópolis: A cidade serve de cenário para a trama policial, com ambientações urbanas e referências ao cotidiano local. 6. Entreilha — Rafael Reginato Segundo o autor, Rafael Reginato, em entrevista publicada pela Agência de Comunicação (Agecom) da UFSC, em 2012, o enredo conta a história de um grupo de jovens desocupados que se conhecem pela internet e decidem assaltar um banco. Trocam suas identidades, traçam um plano e o executam. "Entretanto, o personagem principal, que se autodenomina 'eu' e também é o narrador da história, resolve mudar os planos. Juntamente com Tavia resolvem fugir com o dinheiro roubado para a ilha que haviam visto numa foto de calendário", explicou. Reginato disse que se inspirou em Florianópolis para escrever o livro, embora a Capital não apareça de forma literal. "A ponte que aparece no livro pode ser a Hercílio Luz. Mas pode também se tratar de alguma outra ilha de características semelhantes". A ilha simboliza no livro o destino almejado pelos personagens. Obra: Entreilha Autor: Rafael Reginato Ano: 2012 Relação com Florianópolis: Inspirado na ilha, recria elementos simbólicos da cidade, como a ponte e o imaginário de isolamento e fuga. 7. Primeiro de abril: Narrativas da cadeia — Salim Miguel Primeiro de abril: Narrativas da cadeia — Salim Miguel Divulgação O livro narra os cinquenta dias que o autor passou em uma prisão militar em Florianópolis após o golpe de 1964. A experiência no quartel resultou no diário que mais tarde se transformou no “Primeiro de Abril: narrativas da cadeia”, eleito o melhor romance do ano em 1994 pela União Brasileira de Escritores. O jornalista Moacir Werneck de Castro apresentou o livro no prefácio da primeira edição. De acordo com ele, o relato de Salim não denuncia arbitrariedades inéditas, nem torturas como as que ocorreram em outros lugares, mas é o depoimento de um escritor "que sabe valorizar o detalhe". "[É o relato] de um ficcionista atropelado por uma realidade dolorosamente imprevista, mas que não perde o sentido do pitoresco, do humor, mesmo quando descreve a destruição da livraria que foi sua, a queima absurda de livros em pleno centro da capital catarinense", diz trecho. Obra: Primeiro de abril: Narrativas da cadeia Autor: Salim Miguel Ano: 1994 Relação com Florianópolis: Relata a prisão do autor na capital após o golpe de 1964 e episódios ocorridos no centro da cidade. 8. A coroa no reino das possibilidades — Miro Morais “A coroa no reino das possibilidades”, primeiro livro de Miro Morais, inclui 20 contos independentes, mas que podem ser lidos como capítulos. Entrelaçados pelo narrador-personagem e pelo espaço comum da vila de pescadores, os contos ganham unidade como um romance. Tânia Mara Cassel Trott cita, na pesquisa "Miro o mar, Morais no grande tabuleiro?", que o narrador-personagem procurava liberdade e sentido para sua existência. "Resolve transferir-se para o interior da Ilha, refugiando-se em Sambaqui, um vilarejo de pescadores, lugar que, na época, era só mar, pedras e morros. Este é o cenário", diz trecho do trabalho de 2005. Segundo a pesquisadora, as descrições do espaço, no Norte da Ilha, são feitas por meio de comparação e metáforas, e indicam que o ambiente é simples e belo. "O mundo ainda primitivo de uma comunidade de pescadores", escreveu. Obra: A coroa no reino das possibilidades Autor: Miro Morais Ano: 1967 Relação com Florianópolis: Ambientado em Sambaqui, retrata a vida simples de uma comunidade de pescadores no Norte da Ilha. 9. Do lado de dentro do mar — Daniela Stoll Do lado de dentro do mar — Daniela Stoll Divulgação Em "Do lado de dentro do mar", Daniela Stoll divide o protagonismo entre três mulheres de origens bem distintas: Sílvia, Margarete e Joaquina. Por força das circunstâncias, elas estabelecem um convívio e constroem uma relação de confiança e apoio mútuo. No entanto, apesar das diferenças de idade, educação e formação social, as personagens compartilham entre si uma mesma solidão fundamental de ser mulher ao enfrentar desafios semelhantes para conhecer e assumir a própria sexualidade e o seu papel na sociedade. Ao longo da história, o livro acompanha como essas três mulheres lidam com o medo, as perdas e o desejo de liberdade. Paralelamente, a Florianópolis retratada na obra surge como um espaço marcado por desigualdades e por conflitos históricos, onde mulheres seguem enfrentando diferentes formas de opressão no cotidiano. Obra: Do lado de dentro do mar Autor: Daniela Stoll Ano: 2018 Relação com Florianópolis: Apresenta a cidade como pano de fundo social, explorando desigualdades e vivências femininas no contexto local. Sol na Ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Florianópolis Eduardo Valente/Secom-SC VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/03/23/florianopolis-353-anos-livros-ilha-da-magia-inspiracao.ghtml


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