Família de homem que morreu após injeção aplicada em farmácia faz protesto no AC: 'Não foi acidente'
30/03/2026
(Foto: Reprodução) Família de homem que morreu após injeção aplicada em farmácia protesta por justiça no Acre
Familiares de Maiko Oliveira França, de 31 anos, que morreu após apresentar complicações graves nos dias seguintes à aplicação de uma medicação injetável em uma farmácia de Tarauacá, no interior do Acre, fizeram uma manifestação na manhã desta segunda-feira (30), no Centro do município.
O caso segue sob apuração do Ministério Público do Acre (MP-AC) e do Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC). O g1 entrou em contato com a drogaria e aguarda retorno.
📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp
Com cartazes e fotos que mostram as lesões na região onde Maiko recebeu a injeção, a família dele pede responsabilização e cobra justiça pela morte dele. Segundo os parentes, o protesto é uma forma de pressionar as autoridades e dar visibilidade ao caso. (Veja o vídeo acima)
“Viemos pedir justiça e que a justiça seja feita, porque ninguém merece morrer. Foi crime, não foi acidente. Queremos justiça. Ele deixou três filhos que vão crescer com a ausência do pai”, afirmou Raimunda Cristiana, prima de Maiko.
Ainda conforme os relatos, a família também demonstra indignação com o funcionamento do estabelecimento onde a aplicação foi feita.
“É uma dor muito grande na nossa família por conta de um erro de uma farmácia. A farmácia continua funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido, isso causa revolta. Deveria ter pelo menos luto pela nossa família”, completou.
Familiares de Maiko Oliveira França, de 31 anos, protestaram na manhã desta segunda-feira (30) no centro de Tarauacá
Cedida
LEIA MAIS:
Homem de 31 anos morre dias após injeção aplicada em farmácia no Acre; caso é investigado
Adolescente dá entrada em hospital do AC com ferida na perna, morre por infecção generalizada e família alega negligência; Saúde nega
MP vai apurar morte de adolescente que teve infecção generalizada após queda de bicicleta no interior do AC
O caso foi registrado na polícia e a família pede esclarecimentos sobre o ocorrido. Maiko deixou três filhos, sendo um de 10 anos, outra de 8 anos e um bebê de um mês, além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos.
Segundo a família, Maiko procurou o estabelecimento no dia 18 deste mês após sentir tonturas. No local, ele teria pedido orientação sobre qual medicamento tomar e, após recomendação de uma atendente, recebeu uma injeção intramuscular aplicada na região do glúteo.
A aplicação foi feita por uma mulher que seria filha dos proprietários da farmácia. A medicação teria sido administrada mesmo após o paciente demonstrar hesitação inicial.
Maiko Oliveira França morreu em Cruzeiro do sul no último domingo (22)
Arquivo pessoal
Nos dias seguintes, o quadro de saúde de Maiko piorou. Ele voltou à farmácia no dia 19 com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico. Já no dia 20, apresentou agravamento dos sintomas, incluindo hematomas e dor intensa, e procurou atendimento médico no hospital da cidade.
Ainda conforme a família, profissionais de saúde apontaram possível erro na aplicação, indicando que o medicamento deveria ter sido administrado por via venosa e não intramuscular, além de suspeita de volume elevado, cerca de 20 ml. O paciente também passou a apresentar sinais de comprometimento renal, chegando a urinar sangue.
Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá e, devido à gravidade, foi transferido via aérea para Cruzeiro do Sul. Ele chegou ao Hospital Regional do Juruá m estado crítico e morreu no dia 22 de março.
A causa da morte foi apontada como sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos como rins e fígado.
Esposa e filhos de Maiko Oliveira França, de 31 anos, no protesto da manhã desta segunda-feira (30) no centro de Tarauacá
Cedida
Investigações
O MP-AC instaurou, na última quinta-feira (26), procedimentos nas áreas criminal e cível para apurar as circunstâncias da morte. Na esfera criminal, o órgão solicitou à Polícia Civil informações sobre a existência de inquérito e, caso não haja, determinou a instauração para investigar possível responsabilidade penal.
Já na área cível, o MP requisitou à farmácia dados sobre o funcionamento do estabelecimento, incluindo a identificação de quem aplicou a medicação, o vínculo com a empresa, o responsável técnico e os protocolos adotados para aplicação de injetáveis.
O CRF-AC também apura as circunstâncias do caso junto aos órgãos de justiça.
"Neste momento, é importante agir com responsabilidade, porque as circunstâncias ainda estão sendo apuradas [...] nos solidarizamos com a família e reforçamos nosso compromisso com a segurança da população e com o exercício ético da profissão farmacêutica", informou ao g1 a presidente do centro, Larissa Botelho.
VÍDEOS: g1