Delegado diz que rede de pneus estimulava venda de serviços desnecessários: 'Tinha uma certa regra'
31/05/2026
(Foto: Reprodução) Polícia diz que rede de pneus estimulava venda de serviços desnecessários
O delegado Lyon Ribeiro Silva, responsável pelas investigações que apontam práticas abusivas da rede de lojas Pneuz a clientes de diversas partes do país, disse ter indícios de competições entre franqueados, orientações a funcionários e porcentagens sobre vendas de serviços desnecessários.
Segundo ele, alguns ex-colaboradores já prestaram depoimento, mas deverão ser ouvidos novamente. Pelo menos 100 pessoas podem ter sido lesadas, em sua maioria, mulheres e idosos. A empresa nega irregularidades.
"Ao que tudo indica, há, sim, indícios fortes de que eles trabalhavam dessa forma. Tinha uma certa regra na forma como eles deveriam agir com relação aos clientes. Há uma orientação. Tanto que há, inclusive, uma forte competição entre os franqueados e também entre os setores da empresa, entre os funcionários de cada setor da empresa".
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O caso começou a ser investigado após clientes procurarem a polícia em Mogi das Cruzes (SP) para denunciar os abusos. A Pneuz tem, pelo menos, 43 unidades espalhadas por várias cidades do Brasil. Um cliente de Ribeirão Preto (SP) gastou R$ 10 mil após ser convencido de que o carro precisava de reparos de segurança.
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As investigações da polícia apontam que as franquias trabalhavam da mesma forma: o cliente procurava a loja para um serviço simples e era convencido a realizar trocas de peças e fazer reparos de emergência, o que aumentava o preço final.
"Há um estímulo dessa empresa nessa questão da competição entre os funcionários para conseguir mais, e mais, e mais. Em relação a isso, inclusive, todos eles ganhavam uma porcentagem relacionada ao que era vendido na loja", diz o delegado.
Na quinta-feira (28), uma operação da Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços em Ribeirão Preto e Jardinópolis: as duas lojas, que ficam na Avenida Francisco Junqueira, na casa do dono da franquia, na casa de uma funcionária e na central de telemarketing.
Em nota, a defesa da Pneuz informou que não teve acesso ao conteúdo das acusações que resultaram na operação policial e disse que a empresa sempre pautou suas atividades dentro da mais absoluta observância aos preceitos da probidade e boa-fé.
O inquérito, instaurado pela Polícia Civil de Mogi das Cruzes, apura os crimes de estelionato e associação criminosa.
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Reprodução/EPTV
Bens bloqueados
Na quinta-feira, dia da operação, a Justiça de São Paulo autorizou o bloqueio de até R$ 4 milhões em contas bancárias dos investigados, que não tiveram os nomes divulgados.
O valor, segundo o delegado, seria uma parte do que foi movimentado pelo grupo ao longo dos anos. O dinheiro pode servir para indenizar clientes lesados pela empresa.
"A gente conseguiu preliminarmente cerca de R$ 4 milhões. Inclusive, houve um bloqueio desses valores na data de hoje nas contas dos investigados, tanto do CEO da empresa, como dos franqueados da região do Alto Tietê, e também de alguns dos funcionários relacionados ao pessoal do Alto Tietê. A ideia é essa, ressarcir as vítimas".
Ainda segundo Lyon Ribeiro Silva, qualquer pessoa lesada pela empresa deve procurar a polícia para registrar um boletim de ocorrência ou acionar um advogado para entrar com uma ação na Justiça.
"Por vezes, é até mais interessante a vítima procurar a área cível para a reparação do dano do que a esfera criminal. Nem sempre, na esfera criminal, conseguimos resolver todos os problemas das pessoas no geral. Então, é interessante, sim, que a pessoa procure um advogado eventualmente, ou até um JEC [Juizado Especial Cível] para poder procurar essa reparação ou ter uma orientação melhor do que é possível fazer com relação a isso".
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